Durante a pandemia do coronavírus, o isolamento social nos foi apresentado como a mais eficiente ferramenta para evitar o alastramento da doença. Estar mais tempo em casa, traz diversos desafios e, infelizmente, isso é acompanhado de muitos conflitos. Hoje, falo nesse Blog Post sobre esse assunto, tão delicado, mas tão necessário. Confira!

Com a necessidade de nos afastarmos de qualquer atividade externa e nos isolarmos devido à alta velocidade de proliferação do coronavírus, estamos sendo forçados a enfrentar um problema extremamente complexo que nos obriga a quebrar velhos paradigmas para criar uma rotina de vida. Esse não é um desafio fácil para nós. 

Não estamos acostumados a parar, vivemos em um ritmo acelerado, correndo contra o tempo, porque aprendemos que “tempo é dinheiro”. Essa aceleração influencia a forma como vivemos e nos relacionamos com o mundo, provocando reações em nossa saúde física e mental.

Estar cara a cara com esse novo mundo que o afastamento social nos traz provoca conflitos internos que se manifestam também externamente com as pessoas ao nosso redor.

Além do isolamento, motivos como o desemprego e a queda da renda familiar contribuem para esse ambiente com excesso de nervosismo e brigas.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Olhar/Netquest/Crisp-UFMG sobre os conflitos gerados pela tensão no ambiente confinado mostra que foram observadas formas de violência por 35,8% dos 2.531 entrevistados em todo Brasil.

Na mesma pesquisa, o aumento da tensão dentro de casa durante a fase de isolamento recebeu classificações dos entrevistados de zero a 10. A média feminina e os homens assinalaram 5,59.

Até mesmo naqueles lares que jamais haviam experimentado esse ambiente hostil, vivem pela primeira vez situações onde a revolta com a mudança do cenário de vida é mais forte que o afeto.

Efeitos da quarentena

Nenhum de nós passa despercebido pelos efeitos da quarentena. Além dos males físicos que o vírus de uma pandemia pode nos causar, o estado de constante ameaça e vulnerabilidade também nos afeta negativamente.

O estado constante de ameaça, característico na pandemia, causa-nos:

  • Ansiedade extrema,
  • Preocupação com a doença,
  • Medo de contaminação,
  • Medo dos efeitos na economia,
  • Irritabilidade,
  • Alto nível de estresse,
  • Sintomas depressivos,
  • Tristeza,
  • Sintomas de estresse pós-traumático,
  • Confusão mental,
  • Abuso de substâncias. 

Além disso, algumas pessoas trouxeram o trabalho para dentro de casa. Enquanto o home office é uma ótima alternativa para se manter o emprego, os efeitos colaterais desta inexistência de divisão, pode ser prejudicial.

Somado a tudo isso, temos as tarefas do lar com suas alegrias e problemas, que geram um resultado de um turbilhão de emoções e sentimentos que precisam ser trabalhados para que não se transformem em brigas e conflitos.

Respeite o tempo individual de cada pessoa

Quando estamos frente à crise, passamos por diversas fases, como o medo e a negação, até nos estabilizarmos.

A coisa mais importante a ser levada em consideração para evitar conflitos é compreender que cada pessoa tem seu tempo para passar por cada fase. Alguns chegam à estabilização de forma natural e rápida, outros não, e precisam de ajuda profissional.

Se conseguirmos entender e respeitar o tempo de cada pessoa ao nosso redor, ficará muito mais fácil de conviver em harmonia. Cada um lida com o problema da melhor forma que pode.

Em casal

Em casa, devemos optar por realizar as tarefas em conjunto sempre que possível. Assim ninguém fica sobrecarregado e temos um tempo dedicado a realmente ficar junto e não apenas estar debaixo de um mesmo teto.

Experimente preparar refeições juntos, almoçar no mesmo horário, parar no meio da tarde para um chá ou café e conversar sobre outros assuntos, valorizando o momento de casal.

Além disso é importante que você preserve algumas rotinas para estar bem individualmente. Quando estamos bem conosco, ficamos bem com o outro. Tenha um momento a sós, um momento de encontro consigo mesmo, para pensar, para se analisar, para se distrair também, para se refazer sozinho e poder melhorar a convivência.

E por fim, converse com seu parceiro ou parceira. Neste momento de crise precisamos fortalecer as nossas conexões. Saber que está ali ao seu lado alguém com quem pode dividir seus medos e alguém que pode te ajudar a enfrentar tudo isso é fundamental.

Com os filhos

Tudo que disse até agora influencia diretamente na forma como você lida com as crianças. Se não está bem consigo mesmo ou com algum conflito entre o casal, isso será refletido em impaciência e irritabilidade com os filhos.

Principalmente para os pequenos, falta a compreensão do momento e eles naturalmente buscam mais por atenção. Divida o tempo para o auxílio nas tarefas da escola e dedique momentos para a família.

Pode parecer que são muitas divisões de você mesmo, mas encontrar esse equilíbrio é o que manterá a paz no seu lar.

O caminho é afeto, respeito, compreensão e conversa.

Não hesite em pedir ajuda

Não se esqueça que cada um de nós reage de uma forma, afinal as estruturas psíquicas são diferentes, porque são formadas de modo diferente, as realidades e circunstâncias da vida são diferentes. Então tudo bem pedir ajuda. Você precisa se cuidar.

Estou aqui a disposição para ajudá-los.

Um forte abraço!

Espaço Entre Olhares (031) 98814-7288

 

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