A transformação que estamos vivendo neste momento, em função da pandemia do Coronavírus, nos faz refletir em vários aspectos. Desnudados, expomos nossa essência. No Blog post de hoje falo mais sobre como estamos manifestando nossos sentimentos e encarando a finitude da vida com a chegada do Coronavírus. Confira!

Essa etapa atual de nossas vidas, tão complexa e importante, é uma oportunidade para retirar as máscaras e as roupagens. Não há poder ou posição social que nos isente da finitude, do limite da vida.

Diante do desnudamento, deparamo-nos com nossa essência  boa que exala bons sentimentos e com a nossa essência não tão boa, que expõe o “podre” de cada um de nós.

Um relato transformador

Como será o amanhã? De fato, nunca pudemos afirmar com muita certeza sobre o que nos espera a seguir. Mas a única coisa que sabemos é que um dia tudo chega ao fim. A morte é uma realidade implacável.

Recentemente tive a oportunidade de viver uma experiência que me enriqueceu muito e trouxe várias reflexões importantes que preciso compartilhar com vocês.

Estive no velório e sepultamento da Dona Terezinha. Lá manifestaram-se abertamente as mudanças que o Coronavírus possibilita a todos que se disponibilizam a reinventar as relações e a maneira de viver.

Éramos 10 pessoas: os quatro filhos, a sobrinha com sua filha, a nora com a neta, um genro e eu. Todos pudemos vivenciar com simplicidade a profunda perda. Falou-se da separação e despediu-se com afetividade e espontaneidade, apesar da impossibilidade do toque físico e brevidade do tempo de duração entre o velório e o enterro.

O fato de ser um pequeno grupo, sem as cobranças sociais de uma cerimônia cheia, que normalmente obriga as pessoas a manter determinadas imposições sociais, deu-nos a oportunidade de expressar além do trivial, que é esperado em situações como essa.

A família expressou genuinamente os sentimentos que surgiram frente a perda da mãe, no momento de fechar o caixão. Vieram à tona o afeto, o amor, a intimidade e a esperança, atributos autenticamente humanos. Relataram com forte emoção as experiências vividas ao longo da vida com essa mulher forte, generosa, espirituosa, que foi grande mãe e esposa.

Para mim, foi uma experiência singular, em que as pessoas puderam ser espontâneas diante do que a vida apresenta, movidas pela possibilidade de demonstrar a essência humana que cada ser carrega consigo.

Restou em mim um sentimento de forte gratidão por ter participado desse momento tão singular, em que  a família pode SER verdadeiramente. Estar ali sem toda a obrigação de um lugar previamente definido socialmente nos humanizou, sobretudo. Poder ser quem somos da maneira mais genuína, sem roupagens e status, apenas nos agraciando com a inteireza das emoções que dão o sentido a nossa existência. Eu estive ali em comunhão, como pessoa e ser humano. Senti-me mais feliz, apesar das circunstâncias.

Apesar do luto e da morte, no enterro foi possível brindar as experiências de vida. Apesar das milhares de dificuldades que a pandemia nos apresenta, viver o que foi desnudado pelo Coronavírus é impagável.

Espero que mesmo com todos os desafios que atravessamos neste momento único, ainda possa prevalecer o convite para que uma mudança real se estabeleça em mim, em você, em todas as famílias, na sociedade e no planeta Terra.

Aproveito para fazer um agradecimento especial a minha amiga, desde os 18 anos, a psicóloga Karla Betsy da Silva Biondini por sua sensibilidade e escuta sempre de forma amorosa e reflexiva.

Finalizo o Blog post de hoje com as palavras da Quadra Fênix, lá do Parque Renascer Cemitério e Crematório, onde a nossa Dona Terezinha nos deixou fortes lições em tempos de Coronavírus.

De tudo ficaram três coisas:

A certeza de que estamos começando.

A certeza de que é preciso continuar.

A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar…

E lembrando que continuamos juntos. Estou realizando consultas psicológicas, com o mesmo sigilo e ética necessários.

Espaço Entre Olhares (031) 98814-7288

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