Este mês é conhecido como Setembro Amarelo e especialmente hoje, 10 de setembro, é conhecido como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Assunto esse de extrema importância, que não poderia deixar de ser tema do nosso Blog. Confira! 

A Organização Mundial de Saúde considera o suicídio um caso de saúde pública. É necessário falar sobre o tema para reduzir mitos, tabus e tratar o assunto com a seriedade que se deve, em busca de oferecermos apoio a quem precisa. 

Esse fenômeno é complexo,  não poupa famílias e nem classifica ninguém.  As determinações que levam alguém a cometer o ato de auto extermínio  são muitas e afetam indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. A melhor forma de uma sociedade lidar com o suicídio é através da prevenção.

 Estar atento aos sinais é o primeiro passo. Cuide de você e de quem você ama. 

Sinais de alerta 

Não existe esse ou aquele sinal considerado exclusivo de depressão. Trata-se de um complexo conjunto de sintomas. Mas, pessoas em sofrimento costumam demonstrar certas atitudes que chamam a atenção e que, se soubermos perceber, poderemos ajudar. Separei 2. Acompanhe: 

1 – Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança.

As pessoas sob risco de suicídio costumam falar sobre morte mais do que o comum, confessam se sentir sem esperanças, culpadas, com falta de autoestima e têm visão negativa de sua vida e futuro. Essas ideias podem estar expressas de forma escrita, verbal ou por meio de desenhos.

Algumas expressões e ideias que parecem corriqueiras e, infelizmente, muitas vezes são ignoradas: 

“Vou desaparecer.”

“Vou deixar vocês em paz.”

“Eu queria poder dormir e nunca mais acordar.”

“É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar.”

2 – Isolamento social 

Este é um dos sinais mais frequentes. Pessoas com pensamentos suicidas podem se isolar, não atendendo a telefonemas, interagindo menos nas redes sociais, ficando em casa ou fechadas em seus quartos, reduzindo ou cancelando todas as atividades sociais, principalmente aquelas que costumavam e gostavam de fazer.

Quando falamos sobre o isolamento social é impossível não pontuarmos sobre o cenário atual. Com a presença da Covid-19, todos fomos colocados frente a uma realidade completamente diferente daquela que tínhamos costume. 

Mais tempo em casa, mais irritabilidade, necessidade de trabalhar, redução de renda e desafios nas interações familiares e sociais. Enfim, fomos tirados do lugar confortável da comodidade e, para muitas pessoas, isso foi motivo para querer desistir de prosseguir. 

São dias complexos, com oscilação entre o medo e a esperança que pedem  que cuidemos ainda mais de nós mesmos e das pessoas ao nosso redor. 

Como ajudar

  • Em primeiro lugar, precisamos compreender que para ajudar alguém é importante estarmos bem. Com sua saúde emocional equilibrada, ao se deparar com uma pessoa com comportamento que sugere ideias  de suicídio existem algumas ações fundamentais que podemos adotar para ajudá-la. 
  • Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para acolher, escutar e dialogar sobre temas de perdas. Ouça-a como alguém interessado e ofereça seu apoio
  • Demonstre empatia e mantenha a calma
  • Incentive essa pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento.
  • Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha.
  • Se a pessoa com quem você se preocupa vive com você, assegure-se de que ela não tenha acesso a meios para provocar a própria morte (medicamentos, veneno, cordas, objetos pérfuro cortantes etc.)
  • Estabeleça uma rede de apoio e fiquem em contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo.

Setembro Amarelo

Esse aspecto da vida ganhou mais atenção com a criação do Setembro Amarelo. A campanha começou em 2015 através dos esforços da Associação Brasileira de Psicologia (ABP), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Centro de Valorização da Vida (CVV). Ela acontece com união de profissionais de saúde, sociedade civil e mídia, que realizam diversas ações de prevenção ao suicídio e valorização da vida.

A face mais importante do movimento é incentivar a população a procurar ajuda, superando a vergonha e o receio de ser auxiliado. 

Eu e meus colegas de profissão temos um papel fundamental nesse tema, visto que promover a saúde e a busca por melhor equilíbrio emocional é um dos pontos centrais do trabalho do psicólogo clínico.

Enquanto psicólogos, somos capacitados para cooperar com pessoas em sofrimento mental. 

Como ressignificar as angústias, preocupações, perdas, tristezas. O suicídio é o último passo de um longo período de sofrimento em silêncio. Existem muitos sentimentos e dores dentro daquele que chega a cometer o suicídio. 

Conversar com a família e os amigos é muito importante. E lembre-se: existem situações, ideias e sentimentos que somente poderão ser trabalhados com o auxílio de um profissional especializado. 

Por fim, quero convidar a todos para que tenhamos, não somente em setembro, mas durante todo o ano, a atitude de escuta e acolhimento conosco e com o próximo. 

A valorização da qualidade de  vida é  prevenção ao suicídio.  

Um forte abraço, 

Espaço Entre Olhares (031) 98814-7288

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