Todos nós somos repletos de costumes e crenças trazidas por nossa família, por diversas gerações. Nosso desenvolvimento está diretamente ligado ao que nos foi ensinado. Mas, em nome do respeito e do amor a esses costumes, até quando sacrificamos os que tanto amamos?

Hoje, esse é o tema do nosso Blog. Confira! 

Para começar, precisamos compreender o que é a lealdade familiar. É o respeito que temos aos princípios da nossa família. É o modo como usamos todo o conjunto de crenças no nosso viver e nas nossas tomadas de decisão. É a ligação que temos com a nossa origem. São os vários “combinados invisíveis” que regem nossas ações. 

Pense, quantas vezes você deixou de fazer algo ou fez de forma diferente da que gostaria por receio da falta de aprovação dos seus pais? Mesmo depois de adulto.  A fidelidade ou proximidade entre certos membros da família pode dificultar que alguém se realize pessoalmente. 

A verdade é que, sejam problemas que postergamos a solução por tratar-se de algo que é diferente das regras familiares, ou caminhos e decisões tomadas com similaridade, herdamos muitos sentimentos e cargas dos nossos familiares que exercem forte influência no dia a dia.

Contratos não falados 

Os contratos ou acordos emocionais são naturais nos espaços de interação familiar. E muitos deles atuam silenciosamente. São repassados sem questionar atuando como lei cega. E por vezes os sintomas físicos e emocionais anunciam a presença dos mesmos no decorrer  de gerações que  integram uma família.

Fato é que esse movimento entre os membros impacta na tomada de decisão e gera o desejo de corresponder ou não a expectativa daqueles que amamos. 

Podemos observar esse fato, por exemplo, na escolha do nome. É comum quando os pais decidem homenagear um ente querido que precedeu os filhos e o quanto depositam expectativas de continuidade, de lealdade a uma determinada forma de lidar com a vida.

Sejam elas  no percurso  educacional e até nas escolhas da profissão, direcionamentos de atitudes sofrerão  influência marcante  da história do ente familiar de mesmo nome,  que o antecedeu.

Com isso, pode-se limitar o “eu” enquanto indivíduo, em que anseios, sonhos e necessidades ficam sufocados por um contrato de lealdade invisível ditado pela  família.

O que acaba   por impedir a evolução e busca pela coerência e autonomia.

Respeito e evolução andam juntos

Sempre existe durante a  psicoterapia aquela oportunidade para realizar uma  análise dos impactos das forças familiares.

A abertura de perspectivas cria naturalmente a expansão para novos sentidos, e assim, constrói-se  a diferenciação frente  às ideias preconcebidas que até então “engessou” o agir no mundo.. 

É necessário compreender que é possível termos responsabilidade com nossa própria vida, compromisso com a nossa caminhada e ainda assim ser leal e respeitoso com os costumes da nossa família. Sempre poderemos tomar decisões diferentes, mantendo o respeito pelo que aconteceu antes de nós. 

Afinal, isso nos trouxe até aqui. 

Agir diferente com base no respeito e honra com o que foi possível aos antepassados é um grande sinal de amadurecimento. 

Cada experiência, seja ela boa ou ruim, seja para nós ou nossos antepassados, serviu para que algo fosse alcançado. 

Por isso, negar não é a solução, o amadurecimento e diferenciação sim! 

Um forte abraço, 

Espaço Entre Olhares (031) 98814-7288

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