As epidemias costumam provocar um pânico generalizado na população, principalmente quando não se tem total conhecimento sobre a doença — é o caso da infecção pelo novo Coronavírus (Covid-19).

Esse tipo de situação pode abalar a saúde mental, causando estresse e ansiedade. Mas também não deixa de ser uma oportunidade para olharmos mais para nós mesmos e nossas necessidades.

Este é o tema do nosso Blog Post de hoje. Vamos juntos?

Compreenda a situação

O Coronavírus é uma família de vírus que causa infecções respiratórias. O novo agente do Coronavírus (SARS-CoV-2) foi descoberto em 31 de dezembro de 2019, após casos registrados na China, e provoca a doença chamada de Coronavírus (Covid-19).

Neste momento, está estabelecida transmissão por contato com secreções. A transmissão pode ocorrer de forma continuada, isto é, um infectado pelo vírus pode passá-lo para alguém que ainda não foi infectado.

A transmissão costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas.

Proteger-se é proteger o outro

Tendo em vista toda a situação, muitas pessoas estão resguardando a si e seus familiares, se mantendo em quarentena, em casa. Algumas mantiveram o trabalho via home-office.

Neste momento precisamos parar, pensar e perceber como é importante sair do lugar comum e aprender que gostar de si e proteger-se é condição para o bem estar do outro e de tudo que existe ao nosso redor neste lindo planeta.

É necessário compreender que nossas atitudes tem influência na vida do outro. Precisamos ser reflexivos para viver em uma sociedade mais saudável.

O desafio da mudança

Existem momentos na vida em que tudo parece escuro, em que tudo desmorona. Não encontramos explicações, e nem conseguimos ver luz no fim do túnel. Esses são aqueles momentos em que chamamos de crise. Aquele momento em que não temos como evitar ou negar a impiedosa mudança. Ela vem em forma de furacão e transforma tudo.

O que precisamos fazer é entender que tudo tem um propósito, tudo é aprendizado e de tudo podemos extrair maturidade e crescimento.

A pandemia do Coronavírus e o momento de reclusão nos convida a olhar mais para nós mesmos, nos cuidar, proteger quem amamos.

Desacelere o ritmo frenético. Esteja mais atento ao que acontece ao seu redor e muitas vezes você deixa passar despercebido.

É hora de valorizar as relações humanas, os momentos em família e todos os inúmeros presentes que a vida te oferece, mesmo em momentos de crise.

Relatos da minha experiência

Durante a última semana que passou, tive experiências no consultório que inclusive me motivaram a criar esse conteúdo e compartilhar com vocês.

Caso 1

Médico do Trabalho na Assembleia Legislativa que desmarcou o horário por estar em um quadro de tosse, garganta e stress emocional. Atendeu diversos suspeitos de contaminação e precisou  afastá-los. Para ele as incertezas eram muitas: como não propagar uma suposta contaminação? Será somatização mediante stress profissional?

Ele também foi afastado do trabalho alguns dias depois. Agora em casa restabelecendo-se. As angústias, dúvidas e medos são companhias neste momento.

Caso 2

Uma mulher, 50 anos, mãe, profissional da Assistência Social, casada. Embarcaria com o esposo para a Austrália  essa semana para visitar a filha e as fronteiras foram se fechando…Surgiu a exigência do isolamento ao chegar lá, bem como ao regressar ao Brasil. As apreensões se fizeram presentes em relação aos prejuízos financeiros, a decepção por estar com as malas prontas para rever a filha… Muito choro e decepção mútuos.

Agora com o cancelamento da viagem ela afirma que foi tudo em vão, que nada dá certo para ela. Sobrou apenas tristezas e medos.

Esta paciente é coordenadora dos serviços de assistência social na região metropolitana.. Nos últimos dias viveu assoberbada de perguntas sem respostas por parte das equipes de serviços. Muito séria com o seu trabalho, se sente angustiada e impotente frente às dúvidas. Constata que um simples álcool em gel, quando entregue a equipe do  CRAS, imediatamente acaba entre os técnicos alarmados.

“Jussara, estou igual catatônico. Entro em casa, sento e paraliso. Tenho medo de enlouquecer.” – Disse ela depressiva.

Um filho adulto reside na Europa. Com a suspensão da viagem dos pais até a Austrália para ver a irmã, o rapaz teve uma forte crise de ansiedade, mediante a perspectiva de não irem visitá-lo também no final do ano.

A namorada, brasileira, que estava sem ver há meses, juntou suas economias e foi visitá-lo. Ao chegar na Itália ela foi deportada  a São Paulo. Antes porém, foi agredida verbalmente, humilhada, teve a mala revirada, e bens foram sucumbidos. Além de ter ficado trancada sozinha por um longo tempo. Enquanto isso, ele estava no aeroporto ansioso pelo tão sonhado reencontro.

Todos estes relatos permeados por medos, desolação emocional oriundos da pandemia do Coronavírus. E principalmente, por nosso conjunto de idéias que permeiam as decisões pautadas em nossa ética e crenças diversas.

Caso 3

Um jovem, que trabalha como vendedor.

Estava feliz pois o horário de trabalho foi reduzido em função da pandemia. Com isso, teria mais tempo livre para ir a academia. 

Constatamos a ausência de preocupação sobre os cuidados e riscos de contágio do Coronavírus no momento. Para ele não era importante evitar espaços de aglomeração de pessoas dentre outros cuidados.

O que eu desejo passar a vocês com esses relatos é que a crise existe,  e como são diferentes as atitudes conforme os níveis de consciência. 

O quanto a crise é real. E cada humano lida conforme o padrão de crenças e valores familiares e sociais. E,  também, como é diferente a percepção e o comportamento frente a uma mesma situação. Alguns muito preocupados, outros nem tanto.

Resignação para os momentos de mudança

Quando estamos envoltos por uma crise, somos obrigados a deixar todos os modelos de comportamento que conhecemos e procurar novos caminhos. Só sabemos que precisamos mudar, mas nem sabemos o que ou ainda como. Enfrentamos então esses poderosos movimentos de mudança, em primeiro momento com tristeza e amargura, logo depois com resignação.

Neste momento tão complexo, cheio de medos e incertezas eu continuarei ao lado de vocês.

Farei atendimentos virtuais, com o mesmo sigilo e ética necessários.

O importante é dar continuidade aos tratamentos para mantermos o progresso e evitarmos crises. 

Espaço Entre Olhares (031) 98814-7288

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