Este mês tivemos o retorno às aulas. Este é um tema que assombra alguns pais, principalmente pelo comportamento e reação dos filhos quanto a nova situação e, por isso, eu o trouxe hoje, como pauta do nosso blog.

Primeiro precisamos entender que a educação é um conjunto de hábitos e valores de determinada sociedade, em determinado momento histórico, que é transmitida para gerações posteriores. Mas além de ser algo da vida em sociedade, a educação também compreende o aprendizado das experiências individuais.

Temos também o processo educativo compreendido como o desenvolvimento intelectual, físico ou moral dos indivíduos com vistas à adaptação e à socialização. 

A união desses processos de forma harmoniosa é o que irá direcionar à educação do indivíduo.

O que é educar?

O educar é transmitir conhecimentos, mas também é sobre criar condições para que haja a experimentação de um mundo novo.

Educar é acompanhar e influenciar, de alguma forma, o desenvolvimento da aprendizagem, de todas as capacidades, sejam elas físicas, intelectuais ou emocionais.

Os pais são mediadores e exemplos

Os pais têm muita importância na educação dos filhos, pois são responsáveis por legitimar conhecimentos e valores adquiridos pelas crianças no processo civilizatório. Exercem, portanto, importante mediação na relação da criança com o mundo.

Além de mediar, cabe a eles compreender o tempo individual dos filhos e motivá-los aos novos desafios e conquistas.

Os pais estão ao lado dos filhos, neste processo de educação, desde o começo da vida deles. O comportamento que as crianças acompanham, influencia diretamente a forma como irão se relacionar com o mundo e com as pessoas.

O papel dos pais na educação dos filhos é, portanto, também emocional. As interações familiares estabelecidas com o mundo, com a ciência, com o conhecimento são importantes e determinantes no direcionamento da formação dos filhos.

A afetividade familiar está diretamente ligada ao bom desempenho escolar das crianças.

É necessário compreender o tempo individual e incentivar ao novo

Imagina o quão dramático pode ser uma mudança de escola? Ou então o primeiro dia de aula. O medo do espaço novo, das pessoas novas, da rotina nova, tudo muito diferente do que estava acostumado.

Essa situação para uma criança ou um adolescente pode ser muitas vezes um verdadeiro pesadelo. Sair da zona de conforto, ter que enfrentar desafios em um lugar estranho, tudo isso é impactante.

Neste momento os pais precisam controlar a ansiedade para transmitir tranquilidade aos filhos. É necessário incentivar o fortalecimento da coragem para viver a experiência, aproveitando o máximo de crescimento que ela possa proporcionar.

Quando os pais não conseguem manter a ansiedade controlada e optam por voltar atrás de forma imediata diante da angústia dos filhos, estão ao mesmo tempo retirando deles a oportunidade de aprender e evoluir.

O importante é trabalhar em harmonia com a administração da escola. Essa relação trará apenas benefícios às crianças e adolescentes.

Relato 

As experiências de outras pessoas podem ser inspiradoras. Por isso, dentro desse tema de volta às aulas, convidei a Edna Arthuso, (@maed3.edna.arthuso) que é Psicóloga, Educadora Parental Primeira Infância e mãe de trigêmeos, para compartilhar conosco sua opinião à respeito do tema. Confiram esse rico depoimento:

“O meu relato sobre o tema de volta às aulas é dentro da minha experiência como mãe de trigêmeos e também como profissional da área de educação, onde atuei muitos anos direto com as famílias.

Quero chamar a atenção para esse termo de “volta às aulas” principalmente para o cenário das crianças de 0 a 6 anos por que precisa de uma atenção especial e o motivo é a imaturidade emocional e cerebral que faz com que essas crianças não tenham internamente recursos para lidar com a frustração, a tristeza, com as emoções advindas do processo de separação dos pais.

Então voltar às aulas ou ingressar numa escola nessa faixa etária requer da família e da escola um cuidado, com atenção, as necessidades das crianças, sobretudo, aquelas menores de 3 anos, porque elas ainda não fizeram o processo de individualização.

Elas ainda estão muito ligadas a mãe, tem dificuldade de ficar longe, não tem noção do tempo. Então uma família que leva suas crianças ainda muito pequenas, precisam tentar subsidiar a escola com todas as informações possíveis sobre a vida dela em termos de necessidades, interesses, preferências, para que essa escola possa acolher essa criança e facilitar o processo.

Se uma professora de antemão conhece a família e sabe que aquela criança de 3 anos gosta de determinada brincadeira ou determinada música, quando ela volta ao cenário da escola, a professora, em seu planejamento, pode prever atividades que considerem esses interesses e assim essa criança vai se sentir ainda mais acolhida na sua particularidade. A escola precisa ter uma organização em que haja o espaço para que a família possa comunicar quem é aquela criança e todas as questões envolvidas no seu “cuidar”.

Essa família que chega precisa estar aberta para disponibilizar as informações e facilitar o processo de adaptação. É necessário ter tempo dedicado a isso e compreender que a criança pode chorar, achar estranho, não saberá o que está acontecendo. Os pais precisam acolher os filhos e respeitar a imaturidade emocional e a incapacidade de autorregulação das emoções que as crianças pequenas possuem.

Por outro lado, principalmente as mães, precisam deixar sua criança na responsabilidade de uma outra pessoa, precisa ter também uma decisão clara desse gesto, dessa decisão de separar. Caso contrário, a criança irá perceber e isso dificulta o processo. Se a mãe tem a tranquilidade necessária, se está em uma relação de confiança com a escola, será tudo mais fácil. Essa relação de confiança começa com a aproximação da família a nova rotina da criança fora de casa.

Outro elemento importante nesse processo de volta às aulas é a organização doméstica. Rever todas as demandas decorrentes dessa vida escolar. Material, uniforme, alimentação, hora de dormir, hora do banho, para-casa, etc. Além de prever esse tempo, é preciso educar a criança para ter essas responsabilidades e autocuidado.

A família precisa achar o estilo de vida para fazer toda essa engrenagem funcionar sem se esquecer que a criança precisa brincar e ficar junto aos pais. A partir da organização, os pais conseguem ter tempo para o que é mais fundamental na infância: brincar! Tempo de ficar conectado e envolvido com as crianças e oferecendo o melhor possível: presença.

Volta às aulas é um desafio para as famílias e para a escola. Quando juntas em harmonia, podem oferecer à criança uma experiência prazerosa nessa vida escolar, onde ela se sinta segura e acolhida. “

Aqui no Espaço Entre Olhares Psicologia, temos atendimento de Psicoterapia para Família com foco na valorização da aprendizagem de interações que promovam o bem-estar emocional.

Para mais informações, entre em contato conosco: (031) 98814-7288

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