A pedido da Lojas Boyzinhos, fiz um vídeo alguns dias atrás falando sobre a melhor forma de educar as crianças. Esse é um tema que gera muitas discussões. Por isso hoje falo mais um pouco sobre este tema neste Blog Post. Confira!

Corrigir o comportamento indesejado do seu filho é um sinônimo de amor. A educação é necessária, mas é importante que um ponto fique bastante claro: disciplina jamais deve ser sinônimo de agressão física, nem mesmo naquele momento em que você pensa que não há nada mais a ser feito.

Ao longo dos últimos 50 anos, pesquisadores das Universidades do Texas e de Michigan (EUA) realizaram um estudo com mais de 160 mil crianças – o maior e mais completo já feito sobre o tema – e concluíram que, quanto mais elas apanham, mais desafiam os pais, se tornam anti sociais, ficam agressivas e podem apresentar problemas cognitivos.

Por isso, a educação que defendo é  aquela construída na base do diálogo e das consequências das ações, que ensina a criança sobre limites e comportamentos adequados para uma boa convivência familiar e social.

Por que educar sem palmadas?

Para se convencer da veracidade de uma educação mais positiva, existem inúmeros estudos que apresentam motivos convincentes para não optar pelas palmadas, gritos e xingamentos no dia a dia com as crianças, dê uma olhada:

  • A violência interfere no desenvolvimento cerebral, podendo alterar a forma do órgão, uma vez que a produção de hormônios do estresse aumenta sob exposições a agressão física, psicológica e verbal (conferência da Academia Americana de Pediatria);
  • Crianças que apanham são mais desobedientes na infância e também sofrem na fase adulta com revoltas e insubordinação no ambiente de trabalho (Universidade de Manitoba, Canadá);
  • Apanhar pode desencadear problemas de cognição e saúde mental, além de comportamento anti social (Universidade do Texas);
  •  Mesmo agressões ditas “mais leves” (palmadas na extremidade das mãos, puxar o cabelo, etc) têm consequências negativas como: aumento da agressividade, compromete a relação de confiança com os pais, baixa autoestima, não assimilação de regras (Journal of Family).

As palmadas têm efeito a curto prazo, mas somente o diálogo é capaz de gerar um ser humano saudável com autonomia e consciência para fazer boas escolhas.

Diálogo e Combinados

Tenha em mente que para a criança ser cobrada, ela precisa primeiro saber como é adequado agir, e aquilo que não é coerente no comportamento. Antes de corrigi-la, pense se aquela questão foi dialogada e se ficou claro para o seu filho.

Por isso, uma das estratégias mais funcionais para lidar com os comportamentos indesejados são os combinados.

O primeiro passo é dar o exemplo e cumprir sua parte no acordo. Aqui a pressa e as outras ocupações ficam em segundo plano. Lembre-se que você é um espelho para a criança.

A segunda fase é conhecer bem o seu filho, o que só é possível com muita conversa e convivência, dupla fundamental na criação e educação das crianças. Para isso, é preciso de mais TEMPO JUNTOS!

E esse momento difícil que estamos vivendo com a pandemia do coronavírus, pode ser também a oportunidade valiosa para que você conheça melhor seu filho e coloque ações de disciplina positiva em prática.

A escassez de autoridade  paterna e  materna pode ter muitos efeitos desastrosos em curto, médio e longo prazo. Portanto, quando o adulto se faz presente na orientação e suporte emocional para a criança, ele  consegue explicar o que se espera dela e por que certas ações não são toleradas.

Muitas vezes, pular no sofá, espalhar os brinquedos, brincar de bola dentro de casa, são maneiras de chamar a atenção dos adultos, outras vezes a criança está somente se divertindo. Ou seja, não percebe que aquele ato causa algo grave.

O adulto sabe que alguns comportamentos trazem problemas, como se machucar ou bagunçar a casa, mas a criança ainda não. Então, ensine por que não se deve fazer aquilo e pense em alternativas para suprir a necessidade que a criança tem de brincar e de receber afeto.

A parte prática do combinado funciona como o próprio nome diz. Ensine para a criança que todas as ações geram consequências, satisfatórias ou nem tanto.

Deixar o seu filho durante um ou dois dias sem o brinquedo favorito dele pode ser uma forma de ajudá-lo a entender  que o ato errado teve consequência.

Só fique atento à reação do seu filho: para alguns, ficar sem o objeto funciona. Para outros, o que resolve é ser impedido de ir a uma festa de aniversário ou à casa de um amigo. Apenas tome cuidado para que a escolha do objeto propiciador de reflexão não penalize os irmãos e o restante da família.

Também é importante reforçar que devemos sempre explicar por que a criança está perdendo algo temporariamente. Uma vez anunciado o combinado, explicitado o descumprimento do mesmo e aplicado o meio de revisão de comportamento,  não volte atrás e não devolva o item antes do combinado.

Fase a fase

Outro ponto que é fundamental é que os pais entendam e respeitem as descobertas de cada fase da infância. Não encare como desobediência ou malcriação aquilo que é apenas um experimento típico de determinada faixa etária.

Precisamos compreender a construção da maturidade emocional. Respeitar as fases  não significa ser permissivo nem deixar que os filhos se tornem os “donos” da casa.

Eu divido com vocês uma experiência da minha linhagem familiar

O meu avô paterno, que faleceu aos 103 anos, teve muitos filhos, dentre eles o meu pai. E quando meu pai era um adolescente ele teve uma bela briga com um dos irmãos por causa de um par de sapatos. O meu avô, na sua “sabedoria”, deu uma surra e pediu que a esposa desse banho de água com sal. Foi assim que foi feito com meu pai. Esse meu pai, na sua juventude, casou-se, teve 4 filhos. O meu irmão mais velho sempre foi muito intenso, agitado e também muito criativo.

E numa dada ocasião, ele tinha uns 11 aninhos, o meu pai, já tendo feito várias coisas, resolveu buscá-lo no pátio do prédio. Ele subiu os 4 andares dando correadas no meu irmão, acreditando que assim, ele estaria educando meu irmão a obter bons costumes.

Quando eu era bem “pititica”, com uns 6 aninhos, a minha mãe estava também dando umas correadas neste irmão. Eu, muito assustada com aquilo, cheguei da porta do banheiro onde ela estava com ele e disse: “Eu vou contar ao meu pai o que você está fazendo com o meu irmão!”

E ela me pegou pelas mãos, rodopiei para dentro do banheiro e levei, levei sim as minhas primeiras correadas e também últimas.

Eu posso afirmar a vocês, não só nessa experiência em minha linhagem familiar, mas por toda a trajetória profissional:

Ter medo de quem nos deu a vida e nos protege é um sentimento muito assustador.

Encare o “erro” e o mau comportamento como uma chance para mais aprimorar, ensinar. 

E mais uma vez reforço para que percebam a grande oportunidade que a pandemia do coronavírus nos traz. 

Aproveitem o tempo de maior contato com seus filhos para ouvi-los, saber mais sobre a vida deles, o que pensam, sentem, o que admiram nos colegas, sobre suas preferências etc. 

Usufrua dessa fase para transformar o seu lar em um ambiente de mais afeto e compreensão. 

E lembrando que continuamos juntos. Estou realizando consultas psicológicas online, com o mesmo sigilo e ética necessários.

Um forte abraço!

Espaço Entre Olhares (031) 98814-7288

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