No cotidiano do consultório, acompanho de perto o relato dos pacientes que precisam enfrentar os desafios da depressão.

O contexto da  depressão vai muito além do próprio paciente.

Inclui também os relacionamentos familiares  entre casais, pais, filhos e irmãos. Além é claro, as interações com a família extensa(os tios, avós, sogros, primos, cunhados), que participam da convivência e sentem o impacto dessa angustiante situação de saúde mental.

Por vezes, o convívio familiar com alguém que se encontra com depressão pode despertar uma profunda sensação de impotência, raiva e medo. 

Se você também possui algum familiar que tem depressão, sabe como o convívio diário pode ser complexo, desafiador e desconhecido.

No artigo de hoje, falo sobre atitudes para  lidar de forma assertiva com as situações que envolvem  um familiar com diagnóstico de depressão.   

Um relato emocionado

Um membro de uma família relatou a experiência quando seu irmão casado e com uma filha, enfrentou a depressão. Segue as palavras:

“ Há alguns anos atrás eu e minha família passamos por um período muito difícil, meu irmão entrou em um quadro de depressão, algo que jamais imaginávamos que um dia iríamos passar; vivemos na pele essa terrível doença. 

Porque você sempre acha que isso só acontece com os outros e não com você. Foram dias de angústia, mas sem o apoio da família e profissional não se vence a depressão”.     

Ela ainda enfatiza: “ O profissional te ajuda, ele é preparado para isto, te faz enxergar a realidade dos fatos, que você tem importância e, que a doença não pode te vencer. 

A depressão é algo muito sério. Se tem alguém que você conhece, corre atrás, busque ajuda, acompanhe…Essa é uma doença grave e merece atenção”.  

O impacto nos relacionamentos 

Quantas vezes você já pensou da seguinte forma: “Queria ter a palavra ou o gesto certo para retirar o meu familiar desse abismo da depressão”.

Quando um familiar tem depressão, uma das sensações mais recorrentes é de total impotência para ajudá-lo. É como se tudo o que for oferecido e falado a ele por você não estivesse ajudando.

O relacionamento familiar acaba sendo afetado, provocando desentendimentos e distanciamento entre as pessoas. 

Encontrar um equilíbrio no relacionamento

Para minimizar os impactos que a depressão e seus sintomas podem promover nos relacionamentos familiares é importante buscar informações científicas, buscar orientação com profissional especializado (psiquiatra e/ou psicólogo) e entender que o seu familiar vive um momento de sofrimento mental.

Desenvolver empatia, colocando-se no lugar do outro é fundamental para uma boa convivência e para encontrar a melhor maneira de ajudar. 

Questione-se constantemente: “Como eu gostaria de ser tratado?”

A sua resposta à essa pergunta influenciará no tipo de assistência que oferecerá ao seu familiar, podendo ser ela afetuosa, solidária, compreensiva e sem sentimentos de mágoa ou raiva.  

Há um tempo certo para cada realidade

A depressão se apresenta de diferentes formas e estágios para cada pessoa. 

Há pessoas que diante da percepção dos primeiros sinais de que não estão bem, e de que não conseguem resolver sozinhas situações que antes resolviam, procuram pelo apoio familiar e/ou profissional. 

E há pessoas que não percebem o que sentem, não percebem mudanças no comportamento, tendendo a se isolarem e não aceitar ajuda familiar e/ou profissional. 

Quando um membro da família tem depressão, é imprescindível:

  • Estar disponível para orientá-lo e acompanhá-lo nas atividades diárias e nas consultas aos profissionais da área de saúde;
  • Ter um olhar mais sensível e atento ao que ele faz e diz;
  • Ser mais empático e solidário diante das dificuldades que surgirem;
  • Procurar apoio profissional para o familiar e para você, caso seja necessário;  
  • Acompanhar o uso da medicação, quando ela for prescrita;

Oferecendo apoio e ajudando aquela pessoa da família que você tanto ama a buscar auxílio profissional, é possível lidar  de maneira assertiva com a complexidade da depressão, e ainda, aprimorar sua capacidade humana de desenvolver resiliência e afetividade.

“Olá, muito prazer eu sou Jussara Estela Arthuso, Psicóloga e sou a responsável pelo Espaço Entre Olhares. Nosso objetivo é acolher e favorecer a transformação  na vida de cada uma das pessoas que buscam os serviços citados na Página Para Você aqui do site. Os artigos publicados aqui, ajudarão você na melhoria da qualidade dos relacionamentos e espero que as minhas palavras possam te trazer o conforto e as soluções que você busca. Se você gostou ou mesmo se ficou com alguma dúvida, aproveite para deixar o seu comentário no Fale Comigo, aqui na página”.

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